Alimentação para vacas leiteiras de alta produção | Portal Lacteo
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vaca lechera

José Leonardo Ribeiro, gerente de produtos ruminantes da Guabi, explica a importí¢ncia da alimentação para esta categoria animal.

Para desempenhar suas funções vitais, produtivas e reprodutivas, os animais precisam de nutrientes em quantidade e qualidade compatí­veis com seu peso corporal, estado fisiológico, ní­vel de produção e fatores ambientais aos quais estão expostos.

Dentre os ruminantes, vaca de leite em lactação é a categoria de maior exigíªncia nutricional. Na fase inicial de lactação ocorre balanço energético negativo, pois a energia obtida com a ingestão de nutrientes é inferior a requerida para manutenção, recuperação da condição corporal e atividade reprodutiva e, principalmente, para produção de leite. Vacas primí­paras tíªm exigíªncia energética ainda maior, pois necessitam de energia para o crescimento.

A energia requerida para lactação é reflexo da energia contida no leite produzido. A concentração de energia do leite é resultado da soma do calor gerado pela combustão da gordura, proteí­na e lactose contidas no mesmo. Portanto, quanto maior a produção de leite, maior a demanda energética e protéica. O aumento da produção deve ser acompanhado pelo aumento da oferta de energia fermentecí­vel no rúmen, visando multiplicação de microrganismos e incremento de proteí­na degradável no rúmen.

Na prática, vacas de alta produção exigem maiores cuidados com a alimentação, visto serem muito mais exigentes em quantidade e qualidade dos alimentos ingeridos. Para que uma vaca finalize a lactação com produção superior a 9.000 kg de leite, com pico superior a 45 kg/dia, é essencial o monitoramento de todo alimento consumido (volumososo e concentrado).

A participação ideal dos alimentos volumosos na composição da ração (quantidade de alimento inferida em 24 horas) varia de 45 a 50% da MS (Matéria Seca) total. Nesta proporção, o custo e a qualidade do leite produzido é mais vantajoso ao produtor. Para maior participação dos alimentos volumosos, os mesmos terão que apresentar alto valor nutritivo. Os principais representantes desta categoria, destinados as vacas de alta produção, são as silagens de milho ou sorgo e feno de gramí­neas.

A maior preocupação com os alimentos volumosos é baseada na limitação de ingestão de MS, definida pelos mecanismos de distensão e quimiostático. Silagem de milho com teor de MS inferior a 30% é siní´nimo de fermentação acética, cujo odor de vinagre irá limitar a ingestão pela ação do mecanismo quimiostático.

Se o tamanho médio de partí­culas (TMP) desta silagem for superior a 2 cm, sua ingestão será limitada pelo mecanismo de distensão. Alimentos com maior TMP permanecem mais tempo no rúmen (menor taxa de passagem), resultando em menor ingestão e maior custo energético para manutenção de bactérias ruminais.

Uma boa silagem de milho deve apresentar teor de MS próximo de 33%, FDN e FDA abaixo de 50 e 32%, respectivamente, e NDT superior a 65%. A energia lí­quida para lactação gerada por esta silagem será próxima de 1,5 Mcal/kg MS. Em silagens com baixo valor nutritivo (NDT de 58,5%), a energia lí­quida de lactação será de 1,3 Mcal/kg MS. Para animais que ingerem mais de 12 kg MS de silagem, esta diferença é significativa.

Menor teor de NDT é indicativo de menor proporção de grãos e maior participação de fibra (FDN), a qual é inversamente proporcional a ingestão. Por sua vez, baixos teores de FDN e FDA são indicativos de maior ingestão e digestibidade do alimento.

Para maior ingestão, o TMP da silagem de milho deve variar de 1 a 2 cm. Deve-se ter cuidado – com a repicagem antes do fornecimento, pois esta prática reduz sensivelmente o TMP, resultando em perda de efetividade da fibra.

A efetividade de fibra é calculada multiplicando o teor de FDN pelo percentual de MS retida em peneira de 1,2 mm. A avaliação desta variável é fundamental quando o assunto é ambiente ruminal saudável. Por exemplo, feno de gramí­nea e casca de soja apresentam teores de FDN próximos de 65%. No entanto, 0,98% do feno permanece retido na peneira, contra apenas 0,03% da casca de soja. Conclui-se que apesar do mesmo teor de FDN, a efetividade do feno (63%) é muito superior a da casca de soja (2%).

Para manter o pH ruminal acima de 6,2 e com isso maximizar a digestão de fibra e/ou sí­ntese de proteí­na microbiana é necessário que o teor de fibra efetiva seja superior a 20% MS. Em dietas desafio, para obtenção deste valor, em muitos casos a presença do feno de gramí­neas se faz necessária, pois apresenta alta efetividade, seguido pelo feno de leguminosa e silagem de milho.

Para maior aproveitamento do feno, este deve ser picado com TMP de 4 cm. Não é recomendado maior TMP, pois resultaria em dificuldade de ingestão e/ou bocado nutricionalmente desuniforme. Se for muito picado, reduzirá sensivelmente a atividade total de mastigação. Ao reduzir o TMP do feno de alfafa de 2,5 para 0,5 cm, a atividade de mastigação passou de 52 min/kg MS para 30 min, redução de 31% na mastigação. A quantidade de feno fornecido para vacas de alta produção irá variar de 2,0 e 3,0 kg/dia.

Com exceção do caroço de algodão, os demais concentrados apresentam baixa efetividade, mas são fundamentais para o fornecimento de energia, proteí­na, fósforo, dentre outros nutrientes. O principal representante dos concentrados protéicos é o farelo de soja, alimento com alto teor de PB, alta aceitabilidade, digestibilidade e degradabilidade ruminal. Para vacas de alta produção, nos primeiros 100 dias de lactação, o requerimento de proteí­na não degradável no rúmen (PNDR) é maior (40 a 45% da PB ingerida). Por isso, para reduzir a degradabilidade ruminal deste farelo, o uso de tratamento térmico, como a peletização, aumenta a quantidade de PNDR, conhecida como “by pass”. Outra forma de incrementar a quantidade de aminoácidos absorvidos no Intestino Delgado (ID), seria o uso simultí¢neo de mais fontes protéicas, tais como a protenose e farelo de algodão.

Os grãos de cereais se destacam por fornecer grande quantidade de energia aos ruminantes, devido ao elevado teor de amido (72% no caso do milho). Para maior aproveitamento desta energia, o tratamento com umidade e temperatura expande o amido e rompe as membranas protéicas. Ração peletizada traz benefí­cios, pois o amido apresentará maior capacidade de absorver água, o que potencializa a ação enzimática e otimiza o processo de digestão.

Apesar da digestão do amido ser 25% mais eficiente no ID, se comparada a digestão no rúmen, a mesma não deve ser priorizada neste local, pois o pí¢ncreas não é capaz de produzir enzima em quantidade e tempo necessários. Em adição, o fí­gado não é capaz de metabolizar toda glicose digerida pelas amilases e absorvida no ID. Vacas de alta produção ingerem grande quantidade de concentrado energético e tíªm boa capacidade de digerir amido no ID. Dados de literatura apontam valores próximos a 5 kg de amido, embora a partir de 3 kg a eficiíªncia da digestão seja diminuida. Por isso, é essencial que nem toda energia seja proveniente de carboidratos não estruturais, mas também de ácidos graxos presentes em sementes de oleagenosas.

O caroço de algodão é interessante para juntamente com alimentos peletizados, compor parte da ração. Com teores de PB, fibra e extrato etéreo acima de 20% na MS, este alimento deve ser preconizado na fase inicial de lactação. A limitação do uso se deve ao elevado teor de óleo. Para evitar decréscimo da digestão da fibra e/ou intoxicação das bactérias ruminais, o teor de extrato etéreo ingerido não deve exceder 6 a 7% da MS total. Em média, se fornece de 2 a 3 kg/vaca/dia de caroço.

Para atender os requerimentos de macro e microelementos minerais é fundamental a adição de aproximadamente 3% de núcleo mineral vití¢minico, por meio de ingestão forçada (produto com 6,0% P), quando a ração é confeccionada na propriedade. No caso de ração pronta, esta adição na maioria dos casos não se faz necessária. Nos dois casos os animais devem ter livre acesso a suplemento mineral com 8% P.

Os aditivos e vitaminas também contribuem para o desempenho produtivo das vacas. Atualmente, há vários aditivos que contribuem para o incremento da produção de leite. Dentre eles, merecem destaque a monensina sódica (Mon), virginiamicina, o bicarbonato de sódio (Bic), a biotina (Bio) e as leveduras Saccharomyces cerevisiae (Lev). Sem exceção, favorecem o bom funcionamento do rúmen. Alguns, quando usados simultí¢neamente tem efeito simbiótico (Lev e Mon). O sucesso dependerá da quantidade fornecida.

Para demonstrar valores quantitativos dos aditivos, será padronizado uma vaca holandesa com 650 kg de peso, produzindo 50 kg de leite e ingerindo 26 kg de MS/dia. A relação V:C representará 45:55 do total ingerido, portanto 16 kg de concentrado. Para maior efeito da Mon em selecionar bactérias gram negativas, reduzir a produção de metano e a proteólise, cada quilograma de concentrado deverá conter 25 mg de Mon (400 mg de Mon/vaca/dia).

O Bic tem grande capacidade tamponante e solubilidade no rúmen. Quando fornecido as estes animais (150 a 200 g/dia), será rapidamente diluí­do no lí­quido ruminal. Ao fornecer 0,75% da dieta total em Bic (26 kg MS x 0,75% = 195 g) o pH ruminal se mantém numa faixa que permite sobrevivíªncia de bactérias celulolí­ticas, além de estimular o consumo de MS por elevar a taxa de passagem.

A fermentação ruminal destas vacas será beneficiada quando estas ingerirem Saccharomyces cereviseae. Cepas especí­ficas destas Lev são ativas no rúmen e, por isso, promovem anaerobiose. Como resultado haverá aumento da digestão de fibra, maior regulação do pH ruminal, o que previne a laminite.

O aparelho locomotor precisa estar sadio, pois vacas de alta produção passam grande parte do tempo em pé. Por isso, a ingestão de Bio contribuirá para o fortalecimento da queratina dos cascos, reduzindo os riscos de ranhuras na parede e hemorragia da sola. Para que este benefí­cio seja observado, o fornecimento da Bio deverá ser diário, em quantidades que variam de 15 a 20 mg/vaca/dia. Nesta quantidade, trabalhos mostram incremento da produção de leite. A Bio atua no metabolismo de propionato, na gliconeogíªnese e na sí­ntese de ácidos graxos.

í‰ preciso conhecer as particularidades de cada alimento. O sucesso na alimentação dependerá da correta homogeneidade da mistura (volumoso + concentrado), bem como da frequíªncia de arraçoamento e qualidade e quantidade de água fornecida (3,5 a 5,5 kg/kg MS ingerida). Em rebanhos comerciais, por questão de manejo, estes animais deverão receber pelo menos 3 tratos diários. Animais que participam de torneios leiteiro, o número de tratos diários deverá saltar para 5 ou 6. Quanto maior a frequíªncia de trato, maior será o interesse do animal pelo alimento e melhor será a sua qualidade. Isto se traduzirá em maior ingestão, componente fundamental que explica o desempenho animal.

Com 37 anos no mercado, o Grupo Guabi é hoje um dos maiores produtores de rações e suplementos do paí­s e conta com oito unidades fabris localizadas em Campinas (SP), Bastos (SP), Sales Oliveira (SP), Pará de Minas (MG), Anápolis (GO), Além Paraí­ba (MG), Goiana (PE) e São Gonçalo do Amarante (CE).

http://www.revistafatorbrasil.com.br

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Comentarios

  1. Eusilio joao da silva

    Bom dia,eu sou eusilio,vivo em mocambique,gostaria de saber qual e a quantidade de racao de uma porca gestante,aguardarei da resposta.

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  2. eloiza

    gostaria de saber como se faz á ração balanceada para trita e oito vacas de leite,para aumentar á produção de leite, melhora as pastagem.

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  3. José Antonio

    A colocação entre o volumoso e o concentrado pode ser feito de 4 de milho e 1 de soja, portanto estes numeros estão corretos ?
    Estou colocando 20 vacas de alta lactação e gostaria de receber informações de confinamento. Obrigado.

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  4. carlos ramos

    tenho algumas vacas de leite e ja dou raçao que misturo na fazenda tipo 2sacos de polpa citrica de 40kl cada 1 saco de farelo de soja de 50kl e 1 saco de milho triturado de 40kl sal mineral para vacas em lactaçao minhas vacas dao media de 12lt dia gostaria de saber como vazer uma raçao balanceada com estes ingredientes origado

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